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Formado em Educação Física. Mestre em Ciências da Motricidade (Biodinâmica da Motricidade Humana) e doutorando em Desenvolvimento Humano e Tecnologias (Tecnologias e Desempenho Humano) pela UNESP (Universidade Estadual Paulista - Júlio de Mesquita Filho), Rio Claro / SP.

domingo, 30 de outubro de 2011

Exercício intermitente e potência de máxima fase estável de lactato sanguíneo.


Olá pessoal!

Vamos falar mais um pouquinho de exercício intermitente e máxima fase estável de lactato sanguíneo? O que acham? Bem, vamos lá...
Os parâmetros relacionados à resposta do lactato ao exercício tem sido utilizado para a avaliação e a prescrição do treinamento aeróbio de atletas de endurance em especial, aqueles parâmetros relacionados a máxima fase estável de lactato sanguíneo (MLSS).
A MLSS é considerada o padrão-ouro para a avaliação da capacidade aeróbia e, a intensidade relacionada a mesma tem sido apontada como próxima da intensidade de muitas provas atléticas o que aumenta a sua especificidade para a seleção da intensidade de treinos aeróbios. Estudos apontam que o treinamento realizado próximo a intensidade de MLSS é capaz de promover adaptações significativas na performance aeróbia de atletas de endurance.
Como dito em outras oportunidades, uma parte significativa do treinamento da capacidade aeróbia é realizado sob o regime intermitente (treinamento intervalado). Sabemos ainda que o exercício realizado de forma intermitente nos permite realizar exercício com mesma intensidade por mais tempo ou com uma intensidade maior pelo mesmo tempo. Estudos têm indicado também que, o exercício intermitente, pode não só elevar a intensidade, mas também a duração do exercício.
As alterações metabólicas ocorridas durante os períodos de recuperação no exercício intermitente permitem que, em intensidades absolutas distintas sejam verificadas condições metabólicas similares e esta se torna uma importante consideração a ser realizada quando se trata da prescrição do treino intermitente baseado na MLSS determinada de forma contínua. Estudos realizados com o ciclismo verificaram aumentos significativos da intensidade quando o exercício realizado para a determinação da MLSS era interrompido por 30 s ou 90 s a cada 5 minutos.
Em estudo realizado com o intuito de comparar a potência correspondente a MLSS determinada de modo contínuo com a potência de MLSS determinada durante exercício intermitente realizado com recuperação ativa a 50% da potência máxima (4 min de exercício entremeados por 2 min de recuperação), os autores verificaram que este modelo elevou a potência em aproximadamente 10% (273,2 ± 21,4 W e 300,5 ± 23,9 W para o contínuo e intermitente respectivamente).
Em termos práticos, vemos novamente que o exercício intermitente permite a realização de uma maior intensidade com condição metabólica similar, podendo levar a uma maior carga de treinamento sendo este, um aspecto importante a ser considerado para a prescrição do treinamento. Assim, a determinação de parâmetros fisiológicos que serão utilizados para a prescrição do treinamento intervalado deve ser realizada de forma intermitente.
Para mais informações acerca da influência da intermitência nas respostas da MLSS, sugiro a leitura de: Souza, M. R. et al., Efeito da recuperação na máxima fase estável de lactato sanguíneo. Motriz. 17(2), p. 311-317, 2011. Disponível em: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/viewFile/1980-6574.2011v17n2p311/pdf_92

Um grande abraço e até a próxima.

            Luis Fabiano (Bíbi).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Correr descalço ou calçado?

          
Olá pessoal.

Hoje vamos falar um pouco sobre corrida. Para ser mais específico vamos falar sobre técnicas de corrida.

Analisando as fases da corrida, é possível perceber ao menos duas formas: uma em que a fase de contato (entrada do pé) com o solo é realizada com o terço anterior do pé (antepé) e a outra em que o contato se dá com o terço posterior (retropé; calcanhar).

Se pensarmos sob o ponto de vista da evolução humana, vemos que os corredores corriam descalços, com sandálias ou mocassins por exemplo. Estes sapatos possuíam pouco ou nenhum salto e amortecimento algo bem diferente dos calçados esportivos modernos e, especulação a parte, esta situação pode ter contribuido para esta diferença.

Daniel E. Lieberman da Universidade de Harvard conduziu um estudo que tinha por objetivo verificar como os corredores lidavam com o impacto causado pela fase de contato antes da invenção dos calçados modernos.

Analisando corredores note-americanos e quenianos, o estudo verificou que a maior parte dos corredores que correm descalços possuem maior tendência para realizar a “pisada frontal” (contato com o antepé ou com a parte central do pé), enquanto que 75% dos que utilizam tênis realizam o contato com o calcanhar. O contato primário com o calcanhar pode ser facilitado pelo salto elevado.

O contato com o antepé ou a parte central do pé requer maior força da panturrilha e músculos dos pés, no entanto, propicia uma pisada mais suave e menos impactante mesmo em superfícies mais duras fazendo com que estes não necessitem de calçados com salto elevado.

A corrida com “pisada frontal” poderia ser considerada uma forma mais natural, considerando os aspectos evolutivos, uma vez que nossos ancestrais assim corriam há milhões de anos atrás. Talvez essa tenha sido uma forma para evitar lesões nos pés e membros inferiores relacionadas ao impacto, algo que hoje acomete grande quantidade de corredores.

A “pisada frontal” oferece menor impacto no momento de contato com o solo comparado ao contato realizado com o calcanhar, o que pode ser bom para as pessoas independente de estarem calçadas ou não. Atenção: não estou dzendo para você sair correndo descalço!

Apesar de ser uma questão ainda controversa, parece que os fabricantes de materiais esportivos tem se atentado para tal fato iniciando a produção de calçados para corredores adeptos a essa “nova” pratica. Já existem grupos de corredores que correm descalços ou com uma proteção mínima.

Vale lembrar que este não é um estudo de lesões causados pela corrida e sim do impacto causado durante a fase de contato na corrida utilizando ou não calçado.

            Para saber mais sobre o estudo de Daniel E. Lieberman e seus colaboradores, sugiro a leitura de: Lieberman, D. E. Et al., Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners. Nature, 463, p. 531-5, 2010.



Um grande abraço e até a próxima!