Olá pessoal!
Vamos falar mais um pouquinho de exercício
intermitente e máxima fase estável de lactato sanguíneo? O que acham? Bem,
vamos lá...
Os parâmetros relacionados à resposta do lactato ao
exercício tem sido utilizado para a avaliação e a prescrição do treinamento aeróbio
de atletas de endurance em especial, aqueles parâmetros relacionados a máxima
fase estável de lactato sanguíneo (MLSS).
A MLSS é considerada o padrão-ouro para a avaliação
da capacidade aeróbia e, a intensidade relacionada a mesma tem sido apontada
como próxima da intensidade de muitas provas atléticas o que aumenta a sua
especificidade para a seleção da intensidade de treinos aeróbios. Estudos
apontam que o treinamento realizado próximo a intensidade de MLSS é capaz de
promover adaptações significativas na performance aeróbia de atletas de
endurance.
Como dito em outras oportunidades, uma parte
significativa do treinamento da capacidade aeróbia é realizado sob o regime
intermitente (treinamento intervalado). Sabemos ainda que o exercício realizado
de forma intermitente nos permite realizar exercício com mesma intensidade por
mais tempo ou com uma intensidade maior pelo mesmo tempo. Estudos têm indicado
também que, o exercício intermitente, pode não só elevar a intensidade, mas
também a duração do exercício.
As alterações metabólicas ocorridas durante os
períodos de recuperação no exercício intermitente permitem que, em intensidades
absolutas distintas sejam verificadas condições metabólicas similares e esta se
torna uma importante consideração a ser realizada quando se trata da prescrição
do treino intermitente baseado na MLSS determinada de forma contínua. Estudos
realizados com o ciclismo verificaram aumentos significativos da intensidade
quando o exercício realizado para a determinação da MLSS era interrompido por
30 s ou 90 s a cada 5 minutos.
Em estudo realizado com o intuito de comparar a
potência correspondente a MLSS determinada de modo contínuo com a potência de MLSS
determinada durante exercício intermitente realizado com recuperação ativa a
50% da potência máxima (4 min de exercício entremeados por 2 min de
recuperação), os autores verificaram que este
modelo elevou a potência em aproximadamente 10% (273,2 ± 21,4 W e 300,5
± 23,9 W para o contínuo e intermitente respectivamente).
Em termos práticos, vemos novamente que
o exercício intermitente permite a realização de uma maior
intensidade com condição metabólica similar, podendo levar a uma maior carga de
treinamento sendo este, um aspecto importante a ser considerado para a
prescrição do treinamento. Assim, a determinação de parâmetros fisiológicos que
serão utilizados para a prescrição do treinamento intervalado deve ser realizada
de forma intermitente.
Para mais informações acerca da influência da
intermitência nas respostas da MLSS, sugiro a leitura de: Souza, M. R. et al., Efeito
da recuperação na máxima fase estável de lactato sanguíneo. Motriz. 17(2), p. 311-317,
2011. Disponível em: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/viewFile/1980-6574.2011v17n2p311/pdf_92
Um grande abraço e até a próxima.